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      Passei um tempo sem postar porque confesso: me bateu um desânimo… Tive que refletir e me perguntar porque fico tentando desenvolver uma coisa que não vai refletir diretamente em mim (eu não danço mais profissionalmente), não me dá retorno financeiro (ainda mais num país em crise) e me dá muito trabalho, mas muito mesmo!

      A impressão que tenho é que preciso implorar ao bailarino dizendo “Por favor!! Acredite em mim, eu posso te ajudar a não lesionar tanto e a dar conta de executar esse tal passo que você não tem força ou flexibilidade pra fazer…”

      Do jeito que eu sou eu treinava todo mundo de graça! Infelizmente não posso, porque no final do mês tenho que comprar minha comida e ainda pagar salário dos professores que trabalham comigo, além de impostos e aluguel.

      Ai eu pensei, “vou largar ‘isso tudo’ e focar na minha carreira como cientista, arrumar um emprego numa faculdade e não lutar por mudança, ou ajudar outras pessoas a conquistarem o sonho DELAS!”

      Decidi isso e duas horas depois já estava sentindo um vazio… porque esta não sou eu.

      Então estou aqui de novo, mais uma vez tentando explicar a importância do treinamento complementar, da preparação física para bailarinos, da capacitação teórica de professores de dança e da implementação da Ciência da Dança no Brasil.

      Para esclarecer um pouco, o campo da Ciência da Dança não existe no Brasil. Os estudos feitos com bailarinos (quando são feitos) acontecem nos programas de pós graduação em Ciências do Esporte.

      Neste momento estou fazendo o meu doutorado na Inglaterra exatamente porque esta área é mais desenvolvida aqui. Além disso, estou sendo financiada pelo Governo Brasileiro para fazer minha pesquisa com bailarinos; fui contemplada com uma de apenas sete bolsas de estudo disputadas em todo o Brasil para a área da saúde.

      Meu objetivo é tentar mudar a cultura da dança de que quanto mais melhor e de que o bailarino deve sofrer física e psicologicamente. Por mais que a poesia do sofrimento seja bonita, a realidade de quem sofre não tem tanta beleza assim.

      (vide post este post feito no UOL)

      Hoje tenho vários projetos em andamento:

      Dirijo o Bastidores Centro de Treinamento: com sede em Belo Horizonte é o primeiro centro de treinamento especializado em bailarinos. Contamos com uma equipe composta por profissionais de Educação Física, Fisioterapia e Nutrição. Utilizamos o método patenteado “BPM-Best Performance and Movement” desenvolvido  de acordo com as necessidades específicas dos bailarinos, além de exercícios de musculação, treinamento functional e pilates de solo prescritos considerando a individualidade de cada aluno.

      Edito um livro contando com a participação de 16 pesquisadores do Brasil, França, Portugal e Reino Unido sobre todos os aspectos que devem ser considerados para a formação de um bailarino como ser humano completo. Desde as fases de desenvolvimento da criança, até aspectos biomecânicos, fisiológicos e psicológicos.

      Promovo cursos teóricos a distância e presenciais (no Bastidores) para auxiliar na capacitação de professores e bailarinos, diminuindo  a lacuna existente entre a teoria da ciência e a prática da dança.

      Sou uma dos mebros-fundadores da rede Brasil-UK para o desenvolvimento de trabalhos colaborativos na área da Ciência da Dança entre o Brasil e o Reino Unido.

      Estou escrevendo o projeto do primeiro curso de pós-graduação em Ciências da Dança em parceria com uma universidade federal do Brasil, e publiquei um artigo sobre isso.

      Mesmo com tantas iniciativas (descrevi apenas as que realizo com influência direita no Brasil) enfrento muitas dificuldades como:

      • a falta de reconhecimento do trabalho; tudo que é novo precisa ser digerido. Ainda mais quando se trata da mudança de uma cultura.
      • a crise financeira do Brasil; não só o Bastidores enquanto pequena empresa que precisa sobreviver ao momento que entamos passando, mas também os bailarinos, professores e escolas de dança que estão sofrendo para arcar com os investimentos de um trabalho complementar e de capacitação como o oferecido.
      • a falta de visibilidade; a maioria do público da dança não sabe o que é a Ciência da Dança, como o treinamento pode mudar a vida de um bailarino ou mesmo como fazer isso. É então que venho até vocês.

      Vamos juntos divulgar o que é produzido na Ciência da Dança, vamos juntos transformar a carreira de bailarinos.

      Vamos juntos porque a dança não se faz individulamente. Não se tem apresentação se não tem platéia, não tem bailarino se não tem saúde.

      Faço este pedido não como uma divulgação pessoal do meu trabalho. Faço este pedido em prol do desenvolvimento da Ciência da Dança no Brasil.

      Atenciosamente,
      Bárbara Pessali-Marques