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Como o pensamento pode influenciar na sua carreira como bailarino?

Como o pensamento pode influenciar na sua carreira como bailarino?

Como o pensamento pode influenciar na sua carreira como bailarino? Já ouviu falar em AUTOEFICÁCIA?

Quando digo aos meus alunos que o pensamento tem poder e que o primeiro passo para a realização de um sonho é o pensamento de que ele é capaz de realizá-lo, não estou me referindo a algo simbólico, mas sim a uma realidade que pode ser comprovada cientificamente.

O que é autoeficácia?

É uma capacidade que refere-se aos julgamentos que as pessoas fazem das suas próprias habilidades. Essa avaliação é produto de complexos processos de autoperssuasão e seu processamento cognitivo é proveniente de experiências pessoais de desempenho, dentre outros fatores que podem influenciar na capacidade que a pessoa ACHA que tem.

Autoeficácia para bailarinos e artistas

Muitos autores tem estudo sobre a autoeficácia, mas poucas pesquisas foram feitas estudando a autoeficácia em bailarinos e portanto, firmei uma parceria com uma pesquisadora e professora da Universidade do Estado de Minas Gerais para desenvolvermos pesquisas sobre esse tema.

Camila Bicalho é Mestre em Ciências do Esporte pela Universidade Federal de Minas Gerais/Laboratório de Psicologia do Esporte e minha parceira para a realização futuros estudos nessa área envolvendo bailarinos.

Após uma pesquisa na literatura encontramos apenas seis artigos que pesquisaram sobre a autoeficácia em bailarinos e esses estudos concluíram que a autoeficácia, ou seja, a forma com que a pessoa enxerga o seu potencial, é capaz de influenciar o desempenho do bailarino, seja ele profissional, amador, adulto ou criança.

Isso significa que os bailarinos que acreditam que podem realizar um movimento, ou conquistar um papel têm mais chances, CIENTIFICAMENTE COMPROVADAS, de fazer isso virar realidade.

Então, acredite no seu potencial, não deixe que ninguém te desvalorize ou diga que você não é capaz, que não tem o perfil, que nunca vai chegar lá!

Bailarina triste

Bailarina triste

Logo logo publicarei um outro post sobre a influência do professor na formação da autoeficácia do seu aluno e como isso pode alavancar ou destruir uma carreira.

Mas lembre-se! ACREDITAR que você é capaz já é meio caminho andado. Afinal de contas… o pensamento tem poder!

 

Referências:

Bandura, A. (1993). Perceived self-efficacy in cognitive development and functioning. Educational Psychologist, 28(2), 117-148. doi: 10.1207/ s15326985ep2802_3

Bandura, A. (2001). Social cognitive theory: An agentic perspective. Annual Review of Psychology, 52(1), 1-26

CALVO-MERINO, Beatriz et al. Action observation and acquired motor skills: an FMRI study with expert dancers. Cerebral cortex, v. 15, n. 8, p. 1243-1249, 2005.

DOYLE-LUCAS, Ashley F.; DAVY, Brenda M. Development and evaluation of an educational intervention program for pre-professional adolescent ballet dancers: nutrition for optimal performance. Journal of Dance Medicine & Science, v. 15, n. 2, p. 65-75, 2011.

EUSANIO, Jacqueline; THOMSON, Paula; JAQUE, S. Perfectionism, shame, and self-concept in dancers: a mediation analysis. Journal of Dance Medicine & Science, v. 18, n. 3, p. 106-114, 2014.

Feltz, D. L., & Chase, M. A. (1998). The measure of self-efficacy and confidence in sport. Em J. L. Duda (Org.), Advances in sport and exercise psychology measurement (pp. 765-776). Purdue: Book Craffers.

GARCÍA-DANTAS, Ana; QUESTED, Eleanor. The effect of manipulated and accurate assessment feedback on the self-efficacy of dance students. Journal of Dance Medicine & Science, v. 19, n. 1, p. 22-30, 2015.

GRUEN, Arno. The relation of dancing experience and personality to perception. Psychological Monographs: General and Applied, v. 69, n. 14, p. 1, 1955.

NORDIN-BATES, Sanna M. et al. Injury, imagery, and self-esteem in dance healthy minds in injured bodies?. Journal of dance medicine & science, v. 15, n. 2, p. 76-85, 2011.

PETRIDES, Kostantinos V.; NIVEN, Lisa; MOUSKOUNTI, Thalia. The trait emotional intelligence of ballet dancers and musicians. Psicothema, v. 18, n. 1, p. 101-107, 2006.

SILVA, Andressa Melina Becker da et al.Escala de Autoeficácia para Bailarinos (AEBAI): construção e evidências de validade. Aval. psicol. [online]. 2015, vol.14, n.1, pp. 83-88.

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Amanda

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Amanda

Ainda na linha da reflexão “o bailarino tem que ser magro?” conversei com a bailarina Amanda Lana.


Bailarina Amanda Lana

Amanda foi uma das minhas primeiras alunas de preparação física para bailarinos quando comecei a trabalhar e estudar essa área em parceria com a Compasso Academia de Dança.

Ela sempre foi muito talentosa e teve uma boa formação na Compasso, formação esta que incluía a preparação física comigo. Aos 15 anos ganhou uma vaga para estudar na Academie Princesse Grace em Mônaco.

Dificuldades por causa do tipo físico

“Eu passei sim dificuldades por causa do meu físico, e até hoje tenho que tomar muito cuidado. Como eu sou relativamente baixa, o meu peso deve ser bem controlado e estável. Passei por uma época que estava bem acima do peso, e realmente não estava melhorando na questão da técnica da dança.

Por sorte tive pessoas me alertando e me ajudando a passar por isso. É sim desconfortável e abalável. Até hoje eu estou sempre lutando contra minhas vontades e tentando manter um corpo saudável. Tem horas que eu estou tão preocupada com a minha aparência que parte do meu trabalho não serve de nada porque não tenho a concentração no que realmente importa. Agora eu lido bem melhor com essa situação e aos poucos estou conhecendo melhor meu corpo.

Na minha turma eu era a única com esse problema. Eu tentava não ligar e não dar muita importância para o que os outros falavam. Tive de emagrecer 4 kg para ter certeza que seria aprovada para o ano seguinte.”

Quando Amanda me enviou esse comentário eu logo pensei: “o que será que é estar acima do peso para Amanda? Qual o padrão ou referência ela está usando para chegar nessa conclusão?”

Clique aqui para ler o texto completo.

Por Bárbara Pessali-Marques

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Bruna

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Bruna

Continuo a refletir sobre a questão “O Bailarino tem que ser magro?”, o que é “ser magro”?, até que ponto a necessidade de “ser magro” ajuda ou atrapalha uma carreira?

Pensando nisso busquei ajuda de duas pessoas que dividiram a caminhada da dança comigo em momentos distintos da minha carreira.

Hoje posto sobre a Bruna Bizzotto. Bruna estudou comigo no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes – CEFAR. Dividimos turmas, coreografias e até o mesmo papel como solistas. Enfrentamos juntas a pressão do “senão você não subirá ao palco” ou “senão você será substituída”, acredito que nos tornamos mulheres mais fortes. Mas a custo de que?

Bruna dividiu alguns sentimentos dela conosco:

“Sempre passei por esse problema do físico! Nunca fui magrinha e sempre tive bumbum e coxas avantajadas que me fizeram ouvir sempre que estava gorda, que para conseguir um papel ou mesmo me manter na cia teria que emagrecer e ficar igual fulana… Sempre!

Passar por isso, num período tão complicado como a adolescência, teve (e ainda tem) reflexos diretos na auto estima, na confiança e em diversos outros aspectos da vida! Eu era uma boa bailarina, esforçada, dedicada e talentosa. Sei reconhecer isso hoje mas antes era impossível pra mim! De nada adiantava ser boa sem ser magricela! Certa vez eu fui na minha fisioterapeuta anja (Andrea Mourão) e ela me disse que eu estava bem magra. Eu contei que minha diretora havia acabado de me falar que eu tinha que emagrecer uns 5 quilinhos pelo menos. Ela me sentou, me disse que se eu emagrecesse mais que aquilo, ia comprometer meu ciclo menstrual e que eu perderia massa muscular tão importante para o trabalho de um bailarino (e principalmente para o tipo de trabalho da cia que eu dançava).


Bruna Bizzoto

Minha criação e apoio familiar principalmente por parte da minha mãe nunca me deixaram adoecer (apesar de diversas tentativas de tomar remédio escondido, tentar forçar vômito, parar de comer…)!

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Por Bárbara Pessali-Marques