Conheça o Best Performance and Movement! Método de treinamento físico específico para bailarinos e artistas

Conheça o Best Performance and Movement! Método de treinamento físico específico para bailarinos e artistas

Ao contrário do que se pensa, pesquisas recentes na área da lesão e treinamento com bailarinos revelam que o ballet clássico e outras formas de manifestação da dança não são suficientes para preparar o corpo do bailarino para as demandas físicas para as quais ele é requisitado.

Desta forma, para ter uma carreira longa e saudável o bailarino deve utilizar treinamentos complementares para ser mais:

  • forte,
  • flexível,
  • resistente,
  • dentre outras características.

De acordo com os princípios do treinamento foi necessário o desenvolvimento de um método respeitando a especificidade da dança. Após pesquisas laboratoriais e clínicas por mais de 10 anos, Bárbara Pessali Marques desenvolveu e patenteou o Best Performance and Movement, um método de treinamento físico específico para bailarinos com exercícios criados de acordo com as demandas da dança.

Os exercícios visam aprimorar a técnica da dança. Foram utilizados como inspiração passos do ballet clássico, dança contemporânea e exercícios utilizados no treinamento de força, resistência e flexibilidade. Os exercícios foram criados pensando na especificidade do ballet clássico bem como de outras modalidades de dança.

Acesse o vídeo abaixo e entenda como o Bastidores funciona!!

Você também pode fazer parte da equipe Bastidores com nossa certificação!

Bastidores na mídia

Bastidores na mídia

“O primeiro centro especializado em condicionamento de bailarinos foi fundado no Brasil. Dirigido por um dos membros do IADMS, a doutoranda Bárbara Pessali-Marques, o Bastidores Centro de Treinamento promove preparação física e reabilitação para bailarinos no sudeste do Brasil. Com uma equipe multidisciplinar formada por Fisioterapeutas, profissionais de Educação Física e Nutricionistas com conhecimento específico sobre a saúde dos bailarinos, o estúdio também oferece cursos para professores de dança e conduz pesquisas clínicas na área.”

Foi assim que a pesquisadora em dança Clara Fisher Gam citou o trabalho realizado no Bastidores em mais um post foi publicado por ela na International Association for Dance and Medicine Science sobre a realidade da pesquisa, preparação física e prevenção de lesões em bailarinos no Brasil.

Veja o artigo completo (inglês e português) em:

http://www.iadms.org/blogpost/1177934/242346/Bridging-Dance-and-Health-in-Brazil-III-Taking-Action


Best Performance and Movement

Bastidores Centro de Treinamento Personalizado
Bailarina Luiza Castilho
Foto: Bárbara Pessali Marques

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Amanda

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Amanda

Ainda na linha da reflexão “o bailarino tem que ser magro?” conversei com a bailarina Amanda Lana.


Bailarina Amanda Lana

Amanda foi uma das minhas primeiras alunas de preparação física para bailarinos quando comecei a trabalhar e estudar essa área em parceria com a Compasso Academia de Dança.

Ela sempre foi muito talentosa e teve uma boa formação na Compasso, formação esta que incluía a preparação física comigo. Aos 15 anos ganhou uma vaga para estudar na Academie Princesse Grace em Mônaco.

Dificuldades por causa do tipo físico

“Eu passei sim dificuldades por causa do meu físico, e até hoje tenho que tomar muito cuidado. Como eu sou relativamente baixa, o meu peso deve ser bem controlado e estável. Passei por uma época que estava bem acima do peso, e realmente não estava melhorando na questão da técnica da dança.

Por sorte tive pessoas me alertando e me ajudando a passar por isso. É sim desconfortável e abalável. Até hoje eu estou sempre lutando contra minhas vontades e tentando manter um corpo saudável. Tem horas que eu estou tão preocupada com a minha aparência que parte do meu trabalho não serve de nada porque não tenho a concentração no que realmente importa. Agora eu lido bem melhor com essa situação e aos poucos estou conhecendo melhor meu corpo.

Na minha turma eu era a única com esse problema. Eu tentava não ligar e não dar muita importância para o que os outros falavam. Tive de emagrecer 4 kg para ter certeza que seria aprovada para o ano seguinte.”

Quando Amanda me enviou esse comentário eu logo pensei: “o que será que é estar acima do peso para Amanda? Qual o padrão ou referência ela está usando para chegar nessa conclusão?” Ainda mais por conhecê-la e saber que o que ela chama de “acima do peso” é de longe algo que poderia influenciar na sua melhora técnica.


Bailarina Amanda Lana

Trabalho dos Bastidores durante as férias

Quando Amanda voltou de férias para o Brasil ameaçada de perder sua vaga por causa desses tais 4 quilos, ela me procurou e fez um intensivo no Bastidores. Trabalhamos junto com o acompanhamento que ela estava fazendo com nutricionista buscando diminuir sua massa gorda e aumentar sua massa magra. Por mais que as suas circunferências diminuíssem e ela aparentasse mais magra, o peso na balança não diminuia e Amanda sofria com a pressão dos 4 quilos.

Amanda Lana treinando no Bastidores durante suas férias no Brasil

Então eu disse a ela (e me lembro como se fosse ontem): “Amandinha, vamos fazer o seguinte. Vamos diminuir o seu percentual de gordura, e aumentar sua massa magra, com isso você vai ficar aparentemente mais magra, mesmo que o seu peso não diminua. Quando você voltar para a sua escola eu duvido que o seu diretor vai querer te pesar, porque ele vai VER que você está mais magra. E se ele o fizer, você levará um relatório meu mostrando as suas composições corporais e que você perdeu até mais do que quatro quilos de gordura, mas que como seus músculos pesam mais que gordura, isso não é visível na balança.”

Não sei se Amanda foi pesada ou não na escola. Só sei que não precisei fazer relatório e esse ano ela se forma. Além do mais, já está contratada pela Royal Swedish Ballet!

Amanda é o exemplo de talento e trabalho em equipe.


Amanda Lana

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Bruna

O bailarino tem que ser magro? Entrevista com Bruna

Continuo a refletir sobre a questão “O Bailarino tem que ser magro?”, o que é “ser magro”?, até que ponto a necessidade de “ser magro” ajuda ou atrapalha uma carreira?

Pensando nisso busquei ajuda de duas pessoas que dividiram a caminhada da dança comigo em momentos distintos da minha carreira.

Hoje posto sobre a Bruna Bizzotto. Bruna estudou comigo no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes – CEFAR. Dividimos turmas, coreografias e até o mesmo papel como solistas. Enfrentamos juntas a pressão do “senão você não subirá ao palco” ou “senão você será substituída”, acredito que nos tornamos mulheres mais fortes. Mas a custo de que?

Bruna dividiu alguns sentimentos dela conosco:

“Sempre passei por esse problema do físico! Nunca fui magrinha e sempre tive bumbum e coxas avantajadas que me fizeram ouvir sempre que estava gorda, que para conseguir um papel ou mesmo me manter na cia teria que emagrecer e ficar igual fulana… Sempre!

Passar por isso, num período tão complicado como a adolescência, teve (e ainda tem) reflexos diretos na auto estima, na confiança e em diversos outros aspectos da vida! Eu era uma boa bailarina, esforçada, dedicada e talentosa. Sei reconhecer isso hoje mas antes era impossível pra mim! De nada adiantava ser boa sem ser magricela! Certa vez eu fui na minha fisioterapeuta anja (Andrea Mourão) e ela me disse que eu estava bem magra. Eu contei que minha diretora havia acabado de me falar que eu tinha que emagrecer uns 5 quilinhos pelo menos. Ela me sentou, me disse que se eu emagrecesse mais que aquilo, ia comprometer meu ciclo menstrual e que eu perderia massa muscular tão importante para o trabalho de um bailarino (e principalmente para o tipo de trabalho da cia que eu dançava).


Bruna Bizzoto

Minha criação e apoio familiar principalmente por parte da minha mãe nunca me deixaram adoecer (apesar de diversas tentativas de tomar remédio escondido, tentar forçar vômito, parar de comer…)! Mas o que mais me chateia é ver que agora, que parei de dançar e ganhei mais peso, eu não curti o meu corpo enquanto ele estava em sua melhor fase! Eu era linda e me fizeram acreditar que era gorda, que não estava bem e que ser gorda é a pior coisa do mundo!


Bruna Bizzotto

Não sou frustrada e acho que parar de dançar foi a melhor escolha da minha vida. Abriu meus horizontes, me fez deixar de abaixar a cabeça pra tudo que me é imposto, me fez reconhecer o meu valor real e entender que sou muito mais do que um corpo que, independente da qualidade do que ele desenvolve e de seu talento, se não está extremamente magro, de nada adianta!

Um beijo Babi! Que você consiga fazer a diferença nesse mundão da dança e em tudo que você se propõe!

Sucesso SEMPRE!”

Quando fiquei sabendo que a Bruna tinha parado de dançar meu coração doeu. Será que se os professores tivessem sido mais conscientes Bruna estaria dançando até hoje? Afinal de contas, o que são 5 quilos? Que medida mágica é essa que torna uma pessoa uma bailarina?

Meu sonho e batalha de hoje é que os professores troquem a frase: “você tem que emagrecer!” ou “você está 5kg acima do peso” por “vamos te encaminhar para uma equipe multidisciplinar composta por profissionais qualificados para medir o seu percentual de gordura, circunferências, flexibilidade, força, testes de sangue e propor um treinamento complementar acompanhado por nutricionista, sem sofrimento, cuidando da sua saúde física e mental, afinal de contas, estamos todos do mesmo lado…”.

Será que isso vai ser possível um dia? O Bastidores foi criado pra isso, mas a batalha é tão longa e intensa! Talvez daqui uns 20 anos eu releia esse post e me sinta orgulhosa por ter conseguido fazer o que a Bruna me incentivou:

“fazer a diferença nesse mundão da dança e em tudo que você se propõe”.


Bruna Bizzotto

Bem-vindos ao Blog BASTIDORES

Bem-vindos ao Blog BASTIDORES

Meu nome é Bárbara Pessali Marques e sou bailarina e pesquisadora em dança.

Entrei nessa área científica porque durante a minha formação de bailarina encontrei muitas barreiras físicas e meus professores não sabiam ao certo como me ajudar além de dizer “continue tentando”. Acontece que eu tentava, todos os dias, antes, durante e após as aulas, até que eu resolvi cursar a graduação em Educação Física para entender melhor “como tentar”.


Bailarina Flávia Vianna em Bastidores Centro de Treinamento

Durante a graduação percebi que a literatura científica sobre preparação física para bailarinos era quase inexistente, então continuei estudando para desenvolver um método que fosse específico para os bailarinos. Hoje sou Mestra em Biomecânica, estudo aspectos biomecânicos de bailarinos e tenho um Centro de Treinamento Físico especializado em bailarinos. O BASTIDORES CENTRO DE TREINAMENTO fica em Belo Horizonte e conta com 4 professoras que entendem as necessidades dos bailarinos e procuram, por meio do treinamento físico vencer barreiras para melhorar a técnica e performance em parceria com as companhias, escolas de dança e professores desses alunos!


Bailarina Andressa da Silva em Bastidores Centro de Treinamento

Foi trabalhando no Bastidores e unindo as pesquisas realizadas no BIOLAB – Laboratório de Biomecânica da UFMG, que desenvolvi um método de treinamento patenteado (O Best Performance and Movement) e um equipamento para mensuração e treinamento da flexibilidade de bailarinos, também em processo de patente. Acontece que aqui no Brasil estou de mãos atadas, pois ao contrário da Ciência do Esporte, a Ciência da Dança não é uma área de pesquisa desenvolvida e eu sou uma das poucas pessoas que tentam desbravar essa área em busca de saúde, desempenho e qualidade de vida para os bailarinos e artistas.


Bailarino Walleyson Malaquias em Bastidores Centro de Treinamento

Hoje sou doutoranda no Institute for Performance Research na Manchester Metropolitan University, uma universidade na Inglaterra que une os conhecimentos das áreas das Ciências do Esporte e da Dança. Estou sendo financiada pelo governo brasileiro por meio da CAPES e, não só daqui a quatros anos retornarei ao Brasil com esse conhecimento, como continuo em constante contato com a minha equipe do Bastidores enviando tudo de novo que é produzido no laboratório para acrescentar na preparação física dos bailarinos que treinam com a gente.

Meu sonho é difundir a Ciência da Dança no Brasil, criando centros de pesquisa e treinamento específicos para bailarinos, para que eles possam ter carreiras mais saudáveis e longas. O Bastidores é apenas o pontapé inicial desse projeto.


Bailarina Silvia Maia em Bastidores Centro de Treinamento

Bastidores Centro de Treinamento: Rua Pium-í, 409 Cruzeiro, Belo Horizonte MG – 988701155

Texto primeiramente publicado no Blog Ana Botafogo neste link.