Artista, aquele que tem ou exprime o sentimento da arte (AURÉLIO, 2016), que tem sensibilidade estética apurada, indivíduo habilidoso /talentoso (INFOPÉDIA, 2003), pessoa que é exímia no desempenho de seu ofício, que tem habilidade ou vocação artística (MICHAELLIS), aquele que ama as artes (PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA).

A grande gama de definições encontrada para o termo “artista” nos diferentes dicionários existentes, faz-nos acreditar na fácil compreensão da amplitude de sua prática no cotidiano. Contudo, nos dias atuais, a escolha da área artística como profissão a ser seguida tornou-se sinônimo de ato de coragem.

Entre os diversos campos profissionais que o mundo da arte engloba, encontramos aquele que utiliza o movimento corporal como força motriz para sua expressão artística individual; profissional esse também conhecido como bailarino(a).

Por muitos anos, esses artistas vêm procurando conquistar espaço e especialmente reconhecimento perante a sociedade, enfrentando diversas barreiras atreladas à desvalorização, marginalização e desmerecimento da área em questão.

Após incansáveis “batalhas” realizadas em prol de seus direitos, os profissionais da arte acabam sendo surpreendidos por mais um obstáculo em sua trajetória. No dia 26 de abril de 2018, será julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação de caráter constitucional (representada pela ADPF 183 e 293), a qual busca questionar a “obrigatoriedade de diploma ou de certificado de capacitação para registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício das profissões de artista e técnico em espetáculos de diversões” (STF, 2013).

A Procuradoria Geral da República (PGR) insiste em afirmar que a atividade de artistas, técnicos em espetáculos e músicos representa uma forma livre de manifestação artística, que se faz contrária à necessidade de um diploma de capacitação para registro profissional; desconsiderando, portanto, o artista como um profissional.

Assim, mais uma vez nos deparamos com uma tentativa de retrocesso alarmante, em que o artista passa a temer pela perda de seu registro profissional e, consequentemente, de muitos de seus direitos. Aquele que segundo o dicionário, representa o indivíduo hábil e talentoso, capaz de exercer sua profissão de forma exímia, acaba perdendo sua legitimidade, se tornando irrelevante para o mercado de trabalho.

O(a) bailarino(a), grande representante da área artística que por muito tempo foi marginalizado(a) diante de sua escolha profissional, passa, então, a não ser mais reconhecido como tal. Um esforço de pelo menos 50 anos se torna em vão!

Ser artista é mais do que uma manifestação do eu interior, é superior ao mero prazer da expressão, perpassa o simples amor pela estética. Ser artista é trabalhar duro em busca de uma vida digna, justa e menos discriminatória. É procurar encantar o público com sua demonstração artística, é expor suas emoções, é utilizar todo o seu empenho e paixão pela arte para sobreviver. É apresentar toda a sua técnica baseada em muitos anos de estudos, pesquisas e, se tratando do viés da dança, ensaios repetidos à exaustão, na busca do movimento “perfeito”, que alie esse aprendizado ao mais puro sentimento de amor e entrega.

Ser um profissional da arte da dança significa se dedicar de “corpo e alma” a horas de ensaios desgastantes e muitas vezes lesivos, sendo a quantidade de performances realizadas sua principal fonte monetária. Com salários extremamente baixos, beirando o mínimo, muitos bailarinos se dedicam também à arte de ensinar, de modo a buscarem uma compensação financeira suficiente para sua sobrevivência. O pouco que ganham é revertido em gastos com materiais de dança, os quais apresentam valores exorbitantes: uma sapatilha internacional custando 900 reais e um collant mais que 100 reais, por exemplo.

Através de longos cursos profissionalizantes em escolas de dança, música e teatro, milhares de workshops realizados e diversas horas de estudos e ensaios, o artista passa a exercer seu papel de trabalhador, submetendo todo seu esforço ao competitivo mundo do trabalho; o qual ainda o discrimina, tratando-lhe como inferior.

O artista, como todo e qualquer trabalhador, não vive apenas do amor por sua arte. Ele tem contas a pagar, despesas a arcar, filhos a sustentar, uma vida a trilhar. Com dedicação semelhante ou até mesmo superior a de outras profissões, o artista representa uma classe trabalhadora que merece respeito e atenção, devendo ser tratada de forma igualitária. Ser artista é ser profissional.
ARTE É PROFISSÃO!

Autora: Thaís Cabral

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DICIONÁRIO AURÉLIO. Disponível em: https://dicionariodoaurelio.com/artista. Acesso em: 15 Abr. 2018

DICIONÁRIO INFOPÉDIA DA LÍNGUA PORTUGUESA. Porto: Porto Editora, 2003-2018.
Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/artist. Acesso em: 15 abr.2018

DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA.
Disponível em: https://www.priberam.pt/dlpo/artista. Acesso em: 15. abr. 2018

MICHAELLIS DICIONÁRIO BRASILEIRO DA LÍNGUA PORTUGUESA.
Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/busca?id=ZElb. Acesso em: 15. Abr. 2018

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, Brasília, 27. set. 2013.
Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=249452. Acesso em: 15. abr. 2018