Bailarino é atleta?

Bailarino é atleta?

Bailarinos são muitas vezes considerados atletas quando a demanda de movimento é analisada, no entanto, eles também são considerados artistas quando a produção artística é analisada. Essa falta de certeza na definição de quem são, ou como classificá-los é uma indicação de que reflexões precisam ser feitas sobre essa população.

Ser atleta x ser artista

 

A palavra atleta é uma palavra de origem grega que significa “aquele que compete por um prêmio” e foi relacionada a duas outras palavras gregas, “athlos” que significa competição e “athlon” que significa prêmio.

Já a palavra artista se refere a uma pessoa envolvida na produção de arte, no fazer artístico criativo. Neste contexto, bailarinos que participam de concursos seriam classificados como atletas e bailarinos que se apresentam em espetáculos, sem fins competitivos, seriam considerados artistas. Porém, essa análise deve ser feita considerando muitos outros aspectos.

Considerando artista toda pessoa que trabalha com arte, a análise das demandas físicas, fisiológicas e biomecânicas de cada modalidade artística se faz necessária para poder entender como devemos preparar o corpo de cada artista. Se o bailarino é comparado com um pintor, na maioria das vezes, as exigências físicas para os bailarinos serão maiores. Esta análise de demandas puramente físicas, é um dos motivos pelos quais muitos pesquisadores acabam por enquadrar os bailarinos na categoria de atletas, e não artistas.

Contudo, atletas trabalham para melhorar seu desempenho além da capacidade real de seus corpos. O campeão em qualquer modalidade esportiva é a pessoa que pode correr mais rápido do que qualquer outra, saltar mais alto do que qualquer outra ou pedalar mais do longe do que qualquer outra pode. Embora bailarinos precisem de um alto nível de capacidades físicas, sendo por isso muitas vezes comparados com atletas, eles não precisam saltar muito mais alto do que um certo desempenho médio esperado.

A força de cada um

 

Enquanto os atletas precisam trabalhar algumas capacidades físicas específicas objetivando aumentá-las o máximo possível, bailarinos precisam desenvolver uma gama de capacidades em conjunto, tais como flexibilidade, força, musicalidade, interpretação, dentre outras, dificultado a maximização de cada uma dessas capacidades individualmente.

Este é um dos motivos pelo qual estudos comparando bailarinos com outros atletas de diversas modalidades esportivas concluiram que os bailarinos são muito mais fracos e despreparados do que se imaginava, e de que seus corpos não estão preparados para suportar as demandas que a própria dança exige.

Com relação apenas às capacidades físicas, o desafio é ainda maior quando considerarmos que algumas capacidades são concorrentes, ou seja, quando você aumenta uma, a outra diminue. É muito difícil, portanto, obter um desempenho de alto nível em todas elas ao mesmo tempo.

Essa concorrência entre as capacidades necessárias para se tornar um bom bailarino é um desafio para os profissionais que trabalham com preparação física de bailarinos e destaca a importância do desenvolvimento da área das Ciências da Dança além da área das Ciências do Esporte.

 

Podemos concluir que bailarinos não são atletas, contudo, como eles demandam de capacidades físicas extremas, acima do que é exigido em várias outras modalidades artísticas, devem realizar treinamentos físicos complementares similares aos realizados por atletas, porém, focando nas especificidades da dança.

O Centro de Treinamento Bastidores e sua equipe são especialistas nesse tipo de treinamento.

Encontre um professor perto de você!

A mudança de uma cultura

A mudança de uma cultura

Passei um tempo sem postar porque confesso: me bateu um desânimo… Tive que refletir e me perguntar porque fico tentando desenvolver uma coisa que não vai refletir diretamente em mim (eu não danço mais profissionalmente), não me dá retorno financeiro (ainda mais num país em crise) e me dá muito trabalho, mas muito mesmo!

A impressão que tenho é que preciso implorar ao bailarino dizendo “Por favor!! Acredite em mim, eu posso te ajudar a não lesionar tanto e a dar conta de executar esse tal passo que você não tem força ou flexibilidade pra fazer…”

Do jeito que eu sou eu treinava todo mundo de graça! Infelizmente não posso, porque no final do mês tenho que comprar minha comida e ainda pagar salário dos professores que trabalham comigo, além de impostos e aluguel.

Ai eu pensei, “vou largar ‘isso tudo’ e focar na minha carreira como cientista, arrumar um emprego numa faculdade e não lutar por mudança, ou ajudar outras pessoas a conquistarem o sonho DELAS!”

Decidi isso e duas horas depois já estava sentindo um vazio… porque esta não sou eu.

Então estou aqui de novo, mais uma vez tentando explicar a importância do treinamento complementar, da preparação física para bailarinos, da capacitação teórica de professores de dança e da implementação da Ciência da Dança no Brasil.

Para esclarecer um pouco, o campo da Ciência da Dança não existe no Brasil. Os estudos feitos com bailarinos (quando são feitos) acontecem nos programas de pós graduação em Ciências do Esporte.

Neste momento estou fazendo o meu doutorado na Inglaterra exatamente porque esta área é mais desenvolvida aqui. Além disso, estou sendo financiada pelo Governo Brasileiro para fazer minha pesquisa com bailarinos; fui contemplada com uma de apenas sete bolsas de estudo disputadas em todo o Brasil para a área da saúde.

Meu objetivo é tentar mudar a cultura da dança de que quanto mais melhor e de que o bailarino deve sofrer física e psicologicamente. Por mais que a poesia do sofrimento seja bonita, a realidade de quem sofre não tem tanta beleza assim.

(vide post este post feito no UOL)

Hoje tenho vários projetos em andamento:

Dirijo o Bastidores Centro de Treinamento: com sede em Belo Horizonte é o primeiro centro de treinamento especializado em bailarinos. Contamos com uma equipe composta por profissionais de Educação Física, Fisioterapia e Nutrição. Utilizamos o método patenteado “BPM-Best Performance and Movement” desenvolvido  de acordo com as necessidades específicas dos bailarinos, além de exercícios de musculação, treinamento functional e pilates de solo prescritos considerando a individualidade de cada aluno.

Edito um livro contando com a participação de 16 pesquisadores do Brasil, França, Portugal e Reino Unido sobre todos os aspectos que devem ser considerados para a formação de um bailarino como ser humano completo. Desde as fases de desenvolvimento da criança, até aspectos biomecânicos, fisiológicos e psicológicos.

Promovo cursos teóricos a distância e presenciais (no Bastidores) para auxiliar na capacitação de professores e bailarinos, diminuindo  a lacuna existente entre a teoria da ciência e a prática da dança.

Sou uma dos mebros-fundadores da rede Brasil-UK para o desenvolvimento de trabalhos colaborativos na área da Ciência da Dança entre o Brasil e o Reino Unido.

Estou escrevendo o projeto do primeiro curso de pós-graduação em Ciências da Dança em parceria com uma universidade federal do Brasil, e publiquei um artigo sobre isso.

Mesmo com tantas iniciativas (descrevi apenas as que realizo com influência direita no Brasil) enfrento muitas dificuldades como:

  • a falta de reconhecimento do trabalho; tudo que é novo precisa ser digerido. Ainda mais quando se trata da mudança de uma cultura.
  • a crise financeira do Brasil; não só o Bastidores enquanto pequena empresa que precisa sobreviver ao momento que entamos passando, mas também os bailarinos, professores e escolas de dança que estão sofrendo para arcar com os investimentos de um trabalho complementar e de capacitação como o oferecido.
  • a falta de visibilidade; a maioria do público da dança não sabe o que é a Ciência da Dança, como o treinamento pode mudar a vida de um bailarino ou mesmo como fazer isso. É então que venho até vocês.

Vamos juntos divulgar o que é produzido na Ciência da Dança, vamos juntos transformar a carreira de bailarinos.

Vamos juntos porque a dança não se faz individulamente. Não se tem apresentação se não tem platéia, não tem bailarino se não tem saúde.

Faço este pedido não como uma divulgação pessoal do meu trabalho. Faço este pedido em prol do desenvolvimento da Ciência da Dança no Brasil.

Atenciosamente,
Bárbara Pessali-Marques

Bem-vindos ao Blog BASTIDORES

Bem-vindos ao Blog BASTIDORES

Meu nome é Bárbara Pessali Marques e sou bailarina e pesquisadora em dança.

Entrei nessa área científica porque durante a minha formação de bailarina encontrei muitas barreiras físicas e meus professores não sabiam ao certo como me ajudar além de dizer “continue tentando”. Acontece que eu tentava, todos os dias, antes, durante e após as aulas, até que eu resolvi cursar a graduação em Educação Física para entender melhor “como tentar”.


Bailarina Flávia Vianna em Bastidores Centro de Treinamento

Durante a graduação percebi que a literatura científica sobre preparação física para bailarinos era quase inexistente, então continuei estudando para desenvolver um método que fosse específico para os bailarinos. Hoje sou Mestra em Biomecânica, estudo aspectos biomecânicos de bailarinos e tenho um Centro de Treinamento Físico especializado em bailarinos. O BASTIDORES CENTRO DE TREINAMENTO fica em Belo Horizonte e conta com 4 professoras que entendem as necessidades dos bailarinos e procuram, por meio do treinamento físico vencer barreiras para melhorar a técnica e performance em parceria com as companhias, escolas de dança e professores desses alunos!


Bailarina Andressa da Silva em Bastidores Centro de Treinamento

Foi trabalhando no Bastidores e unindo as pesquisas realizadas no BIOLAB – Laboratório de Biomecânica da UFMG, que desenvolvi um método de treinamento patenteado (O Best Performance and Movement) e um equipamento para mensuração e treinamento da flexibilidade de bailarinos, também em processo de patente. Acontece que aqui no Brasil estou de mãos atadas, pois ao contrário da Ciência do Esporte, a Ciência da Dança não é uma área de pesquisa desenvolvida e eu sou uma das poucas pessoas que tentam desbravar essa área em busca de saúde, desempenho e qualidade de vida para os bailarinos e artistas.


Bailarino Walleyson Malaquias em Bastidores Centro de Treinamento

Hoje sou doutoranda no Institute for Performance Research na Manchester Metropolitan University, uma universidade na Inglaterra que une os conhecimentos das áreas das Ciências do Esporte e da Dança. Estou sendo financiada pelo governo brasileiro por meio da CAPES e, não só daqui a quatros anos retornarei ao Brasil com esse conhecimento, como continuo em constante contato com a minha equipe do Bastidores enviando tudo de novo que é produzido no laboratório para acrescentar na preparação física dos bailarinos que treinam com a gente.

Meu sonho é difundir a Ciência da Dança no Brasil, criando centros de pesquisa e treinamento específicos para bailarinos, para que eles possam ter carreiras mais saudáveis e longas. O Bastidores é apenas o pontapé inicial desse projeto.


Bailarina Silvia Maia em Bastidores Centro de Treinamento

Bastidores Centro de Treinamento: Rua Pium-í, 409 Cruzeiro, Belo Horizonte MG – 988701155

Texto primeiramente publicado no Blog Ana Botafogo neste link.