Fazer ciência não é fácil.

Nós cientistas ou engajados com a constante atualização do conhecimento sabemos disso mais do que ninguém. Mesmo assim, os cientistas não se ajudam, pois há tão pouco espaço que acaba fazendo com que toda a nossa natureza selvagem de sobrevivência venha à tona.

Só vale o nome como primeiro autor, só vale o artigo publicado, só vale a publicação “naquela” revista. Só vale se estiver vinculado com “aquela” instituição, ou com “aquele” professor. O doutorando vira bandido, o mestrando vira cavalo e o aluno de graduação vira o coco…

E o conhecimento onde fica? Em Inglês numa revista indexada que poucos vão ler. Mas não tem problema, porque o cardiopata não precisa saber sobre cardiopatia, o atleta não precisa saber como melhorar a técnica, o bailarino não precisa saber como aumentar o desempenho, o diabético não precisa saber o que é o pâncreas, o lesionado não precisa saber como recuperar. Quem precisa ler o artigo é só quem vai nos citar, quem vai nos referir para ganharmos pontos no Research Gate.

E não importa se o meu coautor é meu amigo. Amigos, amigos, artigo a parte. “Foi mal aí” se você acordou cedo e dedicou todas as suas manhãs pra coleta de dados durante um ano. Só cabem seis autores e você é o menos importante deles. Mas preocupa não… um dia você vai ter alguém para explorar!

Cansei dessa história e vou ameaçar a minha carreira escrevendo com um linguajar acessível a não cientistas. Vou sim perder meu tempo publicando em livro! Vou publicar em (está preparado?) PORTUGUÊS! Vou chocar a sociedade acadêmica, não estou nem aí. Vou escrever comentários gigantescos para os meu orientados, vou até dizer que eles fizeram um bom trabalho quando eles realmente fizerem.

Sou rebelde mesmo… vou patentear equipamento ao invés de publicar artigo… já pensou a cara da CAPES?

Vou é produzir nos Bastidores e publicar em blog pro meu aluno de dança ler. Porque eu tenho consciência de que apenas com ciência se evolui. Quero que a minha publicação seja uma ação pública, de utilidade. Então vou escrever é para quem quer ler.

Autora: Bárbara Pessali-Marques